It may be a dance of knives
A bloodthirsty desire
Brick by brick an empire,
Built in the sands of oblivion.
Hands tighted as bolted
Lips clashing through fire
Each step takes higher and higher
A raw cell that quickly evolved.
Then came the thunders,
The Sturm and Drung.
From love to hate, down to under,
"A lost man", they once sang.
Souls became fireflies,
Flowing throught the mind and its emptiness dark
And life became a small bound of lies
Between shadows and every heart.
No more whole, no more part,
No more hours to elapse
Just the end at the begginig
At the end of every start...
Inópia: s.f. Penúria, indigência, escassez; Fig. Defeito, falta. Este blog é apenas mais um no qual o autor estrutura seus pensamentos para o mundo em busca da própria estruturação. De quebra, espera-se que seja uma ajuda mútua e que, de alguma forma, seu conteúdo seja mais um ingrediente a integrar o complexo caldo da mente humana.
sábado, 18 de agosto de 2012
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
Momento
Há um vulto cingindo o mundo,
Há três olhos nos céus de veludo
Há mais cores do que dizem as retinas
Não há nada no vácuo das mentes
Se há línguas são vis, de serpente,
Se há fatos, são flatos, rotundos
Se há braços, são rotos, imundos
Se há fim o caminho é em frente.
Terrível futuro descrente
Temível presente o futuro
Sem tetos, sem pisos, sem muros
Sem vozes, sem planos, sem rumos,
É a saga do relativo,
Do Einstein fadado ao luto.
E tantos puritanos abstêmios ,
E tantos bêbados alienados,
E tantos poetas de gesso,
E tantos tantos em marcha
E tantos outros calados....
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Centelha
Numa dança de corpos
Bailaram todos os membros,
Numa chuva de cores tragadas
No denso corpo negro.
E a cada choque de lábios,
Uma corrente de espasmos,
Almas tragadas numa imensidão infinita
Tudo convulso,
Espalmado o pulso,
A fronte sorrindo enigmática,
O encontro de caninos na carne do instinto.
Talvez fosse anjo,
Anjo negro nessa vida,
Pra abrir os portões da Pandora no peito,
Renascer o que há muito fora defeito
Fazer-se causa e efeito de toda a alquimia.
Os pés não mais se contentam em percorrer os caminhos,
A fé não mais preenche o eu sozinho,
O tempo constringe o espaço,
E no fim, retorno passo a passo
Ao ponto de partida, repartido
Até quando?
Acendeu-me a chama,
Que engolfa, inflama
Que exaure insaciável
Toda matéria, vã e afável
E, no fim, todos sairão com cicatrizes,
Mas não com menos beleza,
Não com menos memórias,
Não com menos gratidão.
sábado, 21 de julho de 2012
Da Capo al Fine
Em meio aos violinos velozes
Aos gemidos,
Às lamúrias
Aos autos descompassados na fumaça lenta e viva
Cá está tudo
Desnudo,
Coberto de cinzas, de sol, do azul, da morte
Numa amálgama perfeita,
Numa casca que enfeita
Cada sonho, cada sublime pensamento
Naquilo que é morto, que é momento
Para fazer do mundo um vão
Um segundo,
Nos vagos afagos, na boca adentro
No peito fechado, rachado, lancinante
Ardente,
Moribundo,
Profano,
Profundo,
Pulsa um Allegro (ma non troppo, mai),
Expulsa um curto Adagio,
Fine,
Epitáfio.
Aos gemidos,
Às lamúrias
Aos autos descompassados na fumaça lenta e viva
Cá está tudo
Desnudo,
Coberto de cinzas, de sol, do azul, da morte
Numa amálgama perfeita,
Numa casca que enfeita
Cada sonho, cada sublime pensamento
Naquilo que é morto, que é momento
Para fazer do mundo um vão
Um segundo,
Nos vagos afagos, na boca adentro
No peito fechado, rachado, lancinante
Ardente,
Moribundo,
Profano,
Profundo,
Pulsa um Allegro (ma non troppo, mai),
Expulsa um curto Adagio,
Fine,
Epitáfio.
sexta-feira, 20 de julho de 2012
Poeta
Queria ser poeta
para poetizar todo esse mundo
sublimar a cada segundo
aquilo que me resta.
Mas não sei fazer Drummond,
Nem Camões, nem Byron, nem Poe,
Porque nos versos nada se cria,
Nada se destrói,
Tudo se sente.
Perdoem-me os Artistas,
Mas a arte está nos becos, nos hospícios, nos bares, nos malogrados
Na tinta translúcida que borra, que devora a métrica e a rima
Não há ourives das palavras, o Belo, o Perfeito
Há os textos mal grafados, os garranchos no papel,
As cinzas, o álcool, o sêmen, as lágrimas, quiçá o sangue,
mas sempre, sempre
A alma
Laço e Fita
E passou, como num sonho
A carregar-me por entre a suas veias,
Como ferro sórdido,
Fel amargo,
Libido encardido
Fluiu-me por entre as frestas
Por entre os bailes,
Por entre as pernas
E vi tudo e senti de tudo e, por um momento,
Fui tudo,
Mas parei.
Um torniquete,
Um laço tão bem apertado, tão perfeito,
Que agarrou-me pela glote,
Cingiu minha alma,
Deixou-me pendulando em minha própria forca.
Desato o ato que desdenha do fato de ser de mim mesmo tamanho carrasco...
A carregar-me por entre a suas veias,
Como ferro sórdido,
Fel amargo,
Libido encardido
Fluiu-me por entre as frestas
Por entre os bailes,
Por entre as pernas
E vi tudo e senti de tudo e, por um momento,
Fui tudo,
Mas parei.
Um torniquete,
Um laço tão bem apertado, tão perfeito,
Que agarrou-me pela glote,
Cingiu minha alma,
Deixou-me pendulando em minha própria forca.
Desato o ato que desdenha do fato de ser de mim mesmo tamanho carrasco...
domingo, 27 de maio de 2012
Morphe
Eu busco aquilo
Que todos buscam, mas nem toda a busca revela
A alma que grita, retorce, se enterra.
E sou eu aqui, na terra,
Sou eu, sublime, no mar
Perdido à deriva do mundo
Na calma, na cama, na selva do amar.
Sou efeito, (de)feito de tudo
Não se preocupe, os outros também,
Fora do tempo,
Mas dentro do espaço
E passo por passo,
Me deixam passar.
Não
C
a
i
r
e
i
No vazio do papel
Mas sim no vazio de meus sonhos,
L e v e s, e s p a r s o s, pró-fundos.
Meu corpo, o elo entre mundos.
Adeus ao pranto,
Sonso e infantil,
Adeus à mortalha de efeitos,
A dor desliza, pungente, ao meu encontro,
Me abraça com os dedos fincados na carne, na mente, no espírito.
Mas só vive quem sofre, dizem
E a dor há de preencher meu copo, meu corpo
A cada brinde,
Mas valerá cada
gota gota gota
gota gota gota
gota gota gota
gota
gota
gota gota gota
Sorvida....
Que todos buscam, mas nem toda a busca revela
A alma que grita, retorce, se enterra.
E sou eu aqui, na terra,
Sou eu, sublime, no mar
Perdido à deriva do mundo
Na calma, na cama, na selva do amar.
Sou efeito, (de)feito de tudo
Não se preocupe, os outros também,
Fora do tempo,
Mas dentro do espaço
E passo por passo,
Me deixam passar.
Não
C
a
i
r
e
i
No vazio do papel
Mas sim no vazio de meus sonhos,
L e v e s, e s p a r s o s, pró-fundos.
Meu corpo, o elo entre mundos.
Adeus ao pranto,
Sonso e infantil,
Adeus à mortalha de efeitos,
A dor desliza, pungente, ao meu encontro,
Me abraça com os dedos fincados na carne, na mente, no espírito.
Mas só vive quem sofre, dizem
E a dor há de preencher meu copo, meu corpo
A cada brinde,
Mas valerá cada
gota gota gota
gota gota gota
gota gota gota
gota
gota
gota gota gota
Sorvida....
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Silêncio
De todas as palavras lavradas na terra,
As mais instigantes são as que não brotam.
No fundo, por mais que não floresçam belas e vistosas, são como uma primavera em nosso peito
(E ao mesmo tempo sorrateiras, como os dedos do mais gélido inverno)
Seu destino é incerto, seu tempo variável, sua essência uma dúvida.
A ausência é a poesia mais perfeita da alma,
É a sua inquietação, seu indulto
Seus versos brancos no sentido mais literal,
e livres.
É a corda muda que vibra e toca.
Seu corpo (des)faz-se nas pausas da melodia,
No vácuo mordaz que se enclausura no peito,
Nos tiques nervosos dos pés,
Nos suspiros, estalos de língua, olhares perdidos...
Está em todo canto, mesmo não estando em lugar algum.
É linda, mas talvez só o seja porque é parte:
Como a sombra do som no anteparo da vida.
E o todo é ainda mais lindo,
Como a vida no anteparo do mundo...
E, no fim, na dúvida, só nos resta, novamente, o silêncio
Ainda sim, melhor o silêncio do que os pontos,
Detesto os pontos, são previsíveis, têm um fim em si mesmos.
Mas e as reticências, oblíquas e dissimuladas?
...
As mais instigantes são as que não brotam.
No fundo, por mais que não floresçam belas e vistosas, são como uma primavera em nosso peito
(E ao mesmo tempo sorrateiras, como os dedos do mais gélido inverno)
Seu destino é incerto, seu tempo variável, sua essência uma dúvida.
A ausência é a poesia mais perfeita da alma,
É a sua inquietação, seu indulto
Seus versos brancos no sentido mais literal,
e livres.
É a corda muda que vibra e toca.
Seu corpo (des)faz-se nas pausas da melodia,
No vácuo mordaz que se enclausura no peito,
Nos tiques nervosos dos pés,
Nos suspiros, estalos de língua, olhares perdidos...
Está em todo canto, mesmo não estando em lugar algum.
É linda, mas talvez só o seja porque é parte:
Como a sombra do som no anteparo da vida.
E o todo é ainda mais lindo,
Como a vida no anteparo do mundo...
E, no fim, na dúvida, só nos resta, novamente, o silêncio
Ainda sim, melhor o silêncio do que os pontos,
Detesto os pontos, são previsíveis, têm um fim em si mesmos.
Mas e as reticências, oblíquas e dissimuladas?
...
Corredor
O corredor é longo,
Os passos silenciosos,
As portas infinitas...
Pra que tanta porta, meu Deus?
Em cada maçaneta uma síncope mental.
Um milhão de caminhos,
Uma escolha fratricida
Sou eu ou é o mundo?
Em cada ato, uma causa,
Em cada causa, efeito
Em todo (per)feito, defeito
E o efeito sem causa?
-Permite-me entrar?
-Claro, você quem manda chapa.
Todas as portas estão abertas,
Resta-me apenas fechá-las.
Hesitação dos infernos,
Fecham-se os corpos, as cortinas, os olhos, as portas.
Entrei...
Os passos silenciosos,
As portas infinitas...
Pra que tanta porta, meu Deus?
Em cada maçaneta uma síncope mental.
Um milhão de caminhos,
Uma escolha fratricida
Sou eu ou é o mundo?
Em cada ato, uma causa,
Em cada causa, efeito
Em todo (per)feito, defeito
E o efeito sem causa?
-Permite-me entrar?
-Claro, você quem manda chapa.
Todas as portas estão abertas,
Resta-me apenas fechá-las.
Hesitação dos infernos,
Fecham-se os corpos, as cortinas, os olhos, as portas.
Entrei...
terça-feira, 17 de abril de 2012
Speckle
Naquela beirada da vista,
Maliciosa e malquista,
Um pequeno cisto surgiu.
E cresceu, eriçou-se, coçou
E coçou tanto e tanto,
Forçou nos olhos o pranto
Como quem fica e não se presta a passar.
Pôs-se, então, ferrenho a vagar
Por todo domínio existente.
Uma praga sem precedente.
Rachou as feridas,
Entupiu as narinas,
Secou a garganta,
E a sede foi tanta
Que toda bebida reluzia ao olhar
Mas nem assim fez-se pronto,
Pôs-se a roer toda mente
E quando nada restou, aparente
Roeu toda a alma em escárnio.
Restou somente o ímpio rosário
Com suas pobres ave-marias...
E assim como veio partiu,
Partindo o que veio ao pedaços,
Não foi mais que um estilhaço
No grande espelho da vida.
Refletiu o mundo ao inverso
Voraz, inquieto, incessante
Preso num ponto em estanque
Mas suspenso nas cordas dos versos.
Retalhos
Sublima aos céus teu calor
Na forma de todo meu gozo
E nem bem sei se ouso
Esvair-me em sublime torpor.
O anjo torto já cantava
Com a doce voz de sua lira
Uma lavra de mágoa, riso e ira
E eu, perdido, sem mais, me despira
Na pele rasgada de amor.
Fez-se como fogo fátuo
Espontâneo, ligeiro e fino
Iluminou num flash o destino,
Findou-se numa encruzilhada.
E o corpo sem sentir mais nada,
E a mente, ainda aturdida
Na ausência de toda e qualquer medida,
Perdeu-se a cada vã arfada...
Se um dia me encontrares,
Não hesita,
Salvai-me dos grossos pesares
Que encerram minh'alma aturdida
Num eterno frenesi de olhares.
domingo, 18 de março de 2012
Recomeçar
Não importa onde você parou,
em que momento da vida você cansou,
o que importa é que sempre é possível
e necessário "Recomeçar".
Recomeçar é dar uma nova
chance a si mesmo.
É renovar as esperanças na vida
e o mais importante:
acreditar em você de novo.
Sofreu muito nesse período?
Foi aprendizado.
Chorou muito?
Foi limpeza da alma.
Ficou com raiva das pessoas?
Foi para perdoá-las um dia.
Sentiu-se só por diversas vezes?
É por que fechaste a porta até para os outros.
Acreditou que tudo estava perdido?
Era o início da tua melhora.
Pois é!
Agora é hora de iniciar,
de pensar na luz,
de encontrar prazer nas coisas simples de novo.
Que tal um novo emprego?
Uma nova profissão?
Um corte de cabelo arrojado, diferente?
Um novo curso,
ou aquele velho desejo de apender a pintar,
desenhar,
dominar o computador,
ou qualquer outra coisa?
Olha quanto desafio.
Quanta coisa nova nesse mundão
de meu Deus te esperando.
Tá se sentindo sozinho?
Besteira!
Tem tanta gente que você afastou
com o seu "período de isolamento",
tem tanta gente esperando apenas um
sorriso teu para "chegar" perto de você.
Quando nos trancamos na tristeza nem
nós mesmos nos suportamos.
Ficamos horríveis.
O mau humor vai comendo nosso fígado,
até a boca ficar amarga.
Recomeçar!
Hoje é um bom dia para começar
novos desafios.
Onde você quer chegar?
Ir alto.
Sonhe alto,
queira o melhor do melhor,
queira coisas boas para a vida.
pensamentos assim trazem para nós
aquilo que desejamos.
Se pensarmos pequeno,
coisas pequenas teremos.
Já se desejarmos fortemente o melhor
e principalmente lutarmos pelo melhor,
o melhor vai se instalar na nossa vida.
E é hoje o dia da Faxina Mental.
Joga fora tudo que te prende ao passado,
ao mundinho de coisas tristes,
fotos,
peças de roupa,
papel de bala,
ingressos de cinema,
bilhetes de viagens,
e toda aquela tranqueira que guardamos
quando nos julgamos apaixonados.
Jogue tudo fora.
Mas, principalmente,
esvazie seu coração.
Fique pronto para a vida,
para um novo amor.
Lembre-se somos apaixonáveis,
somos sempre capazes de amar
muitas e muitas vezes.
Afinal de contas,
nós somos o "Amor".
"Porque sou do tamanho daquilo que vejo, e não do
tamanho da minha altura."
(Paulo Roberto Gaefke)
segunda-feira, 5 de março de 2012
Verdade
A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.
Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.
Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.
Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.
Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.
Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.
Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.
(Carlos Drummond de Andrade)
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Poética
Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao sr. diretor
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário
o cunho vernáculo de um vocábulo
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo.
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante exemplar
com cem modelos de cartas e as diferentes maneiras de
agradar às mulheres, etc.
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbados
O lirismo dos clowns de Shakespeare
- Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.
(Manuel Bandeira)
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao sr. diretor
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário
o cunho vernáculo de um vocábulo
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo.
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante exemplar
com cem modelos de cartas e as diferentes maneiras de
agradar às mulheres, etc.
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbados
O lirismo dos clowns de Shakespeare
- Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.
(Manuel Bandeira)
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Soma, Pneuma, Sarx
Se em cada boca brota o silêncio
Da mente, semente do tempo
Mente uma voz profunda entredentes
Todo corpo sincopado
Todo coito desordenado
A simples saliva lascívia,
O simples fogo da alma
Envoltos num mundo de fleuma.
E se cada mundo tem os portões
De seu submundo invisível
O meu é imundo, manchado no pranto
Na chance perdida, no nervo inquieto,
No devaneio infinito.
O ódio, a paz, o amargo dissabor
Numa amálgama profunda
Num rodopiar incessante
De tudo que foi, do que é,
Ainda mais,
De tudo que só o futuro do pretérito
Em suas mil portas
Poderia nos mostrar.
Da mente, semente do tempo
Mente uma voz profunda entredentes
Todo corpo sincopado
Todo coito desordenado
A simples saliva lascívia,
O simples fogo da alma
Envoltos num mundo de fleuma.
E se cada mundo tem os portões
De seu submundo invisível
O meu é imundo, manchado no pranto
Na chance perdida, no nervo inquieto,
No devaneio infinito.
O ódio, a paz, o amargo dissabor
Numa amálgama profunda
Num rodopiar incessante
De tudo que foi, do que é,
Ainda mais,
De tudo que só o futuro do pretérito
Em suas mil portas
Poderia nos mostrar.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Simetria
Sobre cada par de óculos, ideias
Em cada par de olhos, histórias
A cada par de imagens, memórias
Contra cada par de lábios, desejos
Entre cada par de ouvidos, mistérios
A cada par de mão em prece, ensejos
Dentro de cada par de braços, dois corpos
Sob cada par de pés, destinos
Em cada par de torres, os sinos
Para cada par de amores, um hino
No amplexo de dois lados , esquina
Sobre a pressa de dois passos, ponteiros
No desencontro de dois pólos, o beijo
No reflexo de uma face, espelho
Com o abrir de duas asas, o sonho
Sem o fechar de dois parênteses, a vida
Na junção de duas grades, desterro
No tocar de duas taças, bebida
No ferir de duas cordas, flamenco
No silêncio de dois pulsos, enterro.
E a cada duas unidades, um par
E a cada par, uma unidade
E dentro de cada um, milhões de pares
E em milhões de pares, disparidades.
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