sexta-feira, 11 de março de 2011

Entropia Pública

O caminhar dos ponteiros
Pés frenéticos sob o Sol
O Astro escaldante.
O suor dançante na face
Cada qual em seu disfarce
Todos contra o tempo.

Os olhos convulsos
As testas tesas
Uma esperança na esquina
A carroagem coletiva
Um ponto, mil pontos, borrões
Os corpos no tempo, um espaço.

Uma amálgama viva
Um turbilhão de membros
O motor e seus pigarros
Nuvens de diesel, cigarros
Um solavanco
O abraço da inércia.

Uma reta no asfalto, três casas
Um suspiro
Uma resposta
O tanger de olhares
Uma curva de improbabilidade
Um encontro.

Dois pulsos descompassados
Uma golfada de ar
O abrir das bocas
O disparar dos ponteiros
A relatividade de Einstein.
Um solavanco

Ponto final.

Reticências...

segunda-feira, 7 de março de 2011

Sunao

Sede flexível como o bambu
Que do raso solo faz-se hirto
Que se curva entregue ao vento,
Mas que íntegro persiste a cada movimento.

Sede recipiente como o bambu
Que faz do seu cerne vazio
Que da essência torna-se dreno,
Mas que nunca em sua sede faz-se pleno.

Sede sereno como o bambu
Que se entrega ao frio e ao vento
Que se abre eternamente à natureza,
Mas que floresce no tempo com leveza

Sede astuto como O Homem
Que faz-se reflexo do bambu
Que sente a harmonia inerente,
Mas que a todo momento faz-se gente.