sábado, 21 de julho de 2012

Da Capo al Fine

Em meio aos violinos velozes
Aos gemidos,
Às lamúrias
Aos autos descompassados na fumaça lenta e viva
Cá está tudo
Desnudo, 
Coberto de cinzas, de sol, do azul, da morte 
Numa amálgama perfeita,
Numa casca que enfeita 
Cada sonho, cada sublime pensamento
Naquilo que é morto, que é momento
Para fazer do mundo um vão 
Um segundo, 
Nos vagos afagos, na boca adentro
No peito fechado, rachado, lancinante
Ardente, 
Moribundo,
Profano,
Profundo,


Pulsa um Allegro (ma non troppo, mai),
Expulsa um curto Adagio,


Fine,


Epitáfio.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Poeta

Queria ser poeta
para poetizar todo esse mundo
sublimar a cada segundo 
aquilo que me resta.

Mas não sei fazer Drummond,
Nem Camões, nem Byron, nem Poe,
Porque nos versos nada se cria,
Nada se destrói,
Tudo se sente.

Perdoem-me os Artistas,
Mas a arte está nos becos, nos hospícios, nos bares, nos malogrados
Na tinta translúcida que borra, que devora a métrica e a rima
Não há ourives das palavras, o Belo, o Perfeito 
Há  os textos mal grafados, os garranchos no papel, 
As cinzas, o álcool, o sêmen, as lágrimas, quiçá o sangue, 
mas sempre, sempre
A alma

Laço e Fita

E passou, como num sonho
A carregar-me por entre a suas veias,
Como ferro sórdido,
Fel amargo,
Libido encardido


Fluiu-me por entre as frestas
Por entre os bailes,
Por entre as pernas
E vi tudo e senti de tudo e, por um momento,
Fui tudo,
Mas parei.


Um torniquete,
Um laço tão bem apertado, tão perfeito,
Que agarrou-me pela glote,
Cingiu minha alma,
Deixou-me pendulando em minha própria forca. 


Desato o ato que desdenha do fato de ser de mim mesmo tamanho carrasco...