Em meio aos violinos velozes
Aos gemidos,
Às lamúrias
Aos autos descompassados na fumaça lenta e viva
Cá está tudo
Desnudo,
Coberto de cinzas, de sol, do azul, da morte
Numa amálgama perfeita,
Numa casca que enfeita
Cada sonho, cada sublime pensamento
Naquilo que é morto, que é momento
Para fazer do mundo um vão
Um segundo,
Nos vagos afagos, na boca adentro
No peito fechado, rachado, lancinante
Ardente,
Moribundo,
Profano,
Profundo,
Pulsa um Allegro (ma non troppo, mai),
Expulsa um curto Adagio,
Fine,
Epitáfio.
Inópia: s.f. Penúria, indigência, escassez; Fig. Defeito, falta. Este blog é apenas mais um no qual o autor estrutura seus pensamentos para o mundo em busca da própria estruturação. De quebra, espera-se que seja uma ajuda mútua e que, de alguma forma, seu conteúdo seja mais um ingrediente a integrar o complexo caldo da mente humana.
sábado, 21 de julho de 2012
sexta-feira, 20 de julho de 2012
Poeta
Queria ser poeta
para poetizar todo esse mundo
sublimar a cada segundo
aquilo que me resta.
Mas não sei fazer Drummond,
Nem Camões, nem Byron, nem Poe,
Porque nos versos nada se cria,
Nada se destrói,
Tudo se sente.
Perdoem-me os Artistas,
Mas a arte está nos becos, nos hospícios, nos bares, nos malogrados
Na tinta translúcida que borra, que devora a métrica e a rima
Não há ourives das palavras, o Belo, o Perfeito
Há os textos mal grafados, os garranchos no papel,
As cinzas, o álcool, o sêmen, as lágrimas, quiçá o sangue,
mas sempre, sempre
A alma
Laço e Fita
E passou, como num sonho
A carregar-me por entre a suas veias,
Como ferro sórdido,
Fel amargo,
Libido encardido
Fluiu-me por entre as frestas
Por entre os bailes,
Por entre as pernas
E vi tudo e senti de tudo e, por um momento,
Fui tudo,
Mas parei.
Um torniquete,
Um laço tão bem apertado, tão perfeito,
Que agarrou-me pela glote,
Cingiu minha alma,
Deixou-me pendulando em minha própria forca.
Desato o ato que desdenha do fato de ser de mim mesmo tamanho carrasco...
A carregar-me por entre a suas veias,
Como ferro sórdido,
Fel amargo,
Libido encardido
Fluiu-me por entre as frestas
Por entre os bailes,
Por entre as pernas
E vi tudo e senti de tudo e, por um momento,
Fui tudo,
Mas parei.
Um torniquete,
Um laço tão bem apertado, tão perfeito,
Que agarrou-me pela glote,
Cingiu minha alma,
Deixou-me pendulando em minha própria forca.
Desato o ato que desdenha do fato de ser de mim mesmo tamanho carrasco...
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