Não posso parar,
A mente se desenrola numa síncope
Num fluxo de ideias infernal
E meu corpo desce ao chão,
Regurgita a alma tão volátil
Clama por todos os deuses mundanos
Mas nada vem.
Sopram borbulhas de ideias
Lampejos de esplendor
Dor, dor, dor
Dor num instante
Num suspiro lancinante
Que estoura sem ouvir.
É por dentro, autofagia
Do corpo com o corpo
Da alma com a alma
Do sonho com a calma
Da Terra com a vida
Dois pesos sem medida.
E desce o meu peito
Pelas entranhas de um gigante
Vai calado, não pulsa, uiva
D'um jeito que só um peito amigo
Um camarada também partido
Pode escutar.
O caminho é certo
Não posso parar
Mas os pés se desfiam no espaço
Fundem-se numa malha infinita
Onde cada argumento é areia
E cada vento semeia
A mente com rajadas de ar.
Inópia: s.f. Penúria, indigência, escassez; Fig. Defeito, falta. Este blog é apenas mais um no qual o autor estrutura seus pensamentos para o mundo em busca da própria estruturação. De quebra, espera-se que seja uma ajuda mútua e que, de alguma forma, seu conteúdo seja mais um ingrediente a integrar o complexo caldo da mente humana.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
Ludibrium
Parece bobagem o bigode
As unhas por fazer
Os cabelos ao vento
O libertino, o libertário, o libido...
O tempo no tempo é perdido,
Mascado entre os dentes lascivos
A língua pérfida exala o bafo de uma alma rota.
E já fui um, quero ser outra.
Quero ser torto, quero que se exploda!
Tudo foi um delírio
Dos mais delirantes humanos
Pecaminosos olhares no escuro
Dedos ondulantes nas frestas
Medo reteso nas testas.
Tentou ser gente,
Mudou de profissão,
Melhor serpente
Do que do mundo refeição!
As unhas por fazer
Os cabelos ao vento
O libertino, o libertário, o libido...
O tempo no tempo é perdido,
Mascado entre os dentes lascivos
A língua pérfida exala o bafo de uma alma rota.
E já fui um, quero ser outra.
Quero ser torto, quero que se exploda!
Tudo foi um delírio
Dos mais delirantes humanos
Pecaminosos olhares no escuro
Dedos ondulantes nas frestas
Medo reteso nas testas.
Tentou ser gente,
Mudou de profissão,
Melhor serpente
Do que do mundo refeição!
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Duos
O amor é uma aranha
Que tece em minha mente
Que desfia lentamente
Sua teia no luar.
Um morcego encapuzado,
Uma víbora envolvente
Com suas presas salientes
Famintas a espreitar.
O amor é essa nesga
Que flutua lá no peito
Voa longe e sem jeito
Anjo torto a despencar
É o tempo, são as horas
Os ponteiros, a demora
Que roem por dentro e por fora
Só pra rir e provocar.
É o sangue fervilhante
Na (in)certeza de um amante
No gozo d'um instante,
Nas mãos a enforcar.
É o tudo, é o nada
É a alma espalmada
O reflexo n'outro corpo
Dois inteiros num só par.
Que tece em minha mente
Que desfia lentamente
Sua teia no luar.
Um morcego encapuzado,
Uma víbora envolvente
Com suas presas salientes
Famintas a espreitar.
O amor é essa nesga
Que flutua lá no peito
Voa longe e sem jeito
Anjo torto a despencar
É o tempo, são as horas
Os ponteiros, a demora
Que roem por dentro e por fora
Só pra rir e provocar.
É o sangue fervilhante
Na (in)certeza de um amante
No gozo d'um instante,
Nas mãos a enforcar.
É o tudo, é o nada
É a alma espalmada
O reflexo n'outro corpo
Dois inteiros num só par.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
Pseudoensaio
Cansei de pseudopoesia, vou brincar de pseudoprosa hoje...
É incrível a capacidade das pessoas hoje em dia de ser multitask. Pra falar a verdade, estou falando sobre mim, mas é mais confortável olhar os outros.
Fazer múltiplas tarefas é realmente uma habilidade sine qua non nesse mundo fragmentado e com mais atividades do que horas... Entretanto, o problema está em nós mesmos, ou melhor, nas pessoas. Quando não se consegue mais colocar os glúteos fétidos na cadeira carcomida e fazer uma única tarefa de modo louvável. Tudo torna-se um certo números de tic-tacs do ponteiro e nada mais é prazeroso, no lugar do prazer tem-se prazos.
E é nessa cobrança que muitos enlouquecem. Nada mais é feito até o fim, é o efeito bulimia mental: queremos comer todas as atividades disponíveis no supermercado. Comemos, comemos, comemos e depois tudo é vomitado deixando uma mente vazia e perdida...
Somos seres ecléticos, necessitamos de tarefas variadas para a boa sanidade mental, however, todo o exagero é prejudicial. E os computadores, tablets e derivados estão aí para nos afundar ainda mais nesse aspecto. E a Internet então, pode-se perder uma vida curtindo coisas no facebook, até os dedos apodrecerem and not a fuck shall be given. Mas mesmo assim as pessoas gostam.
"Por que? Você me pergunta. Perguntas não vão lhe mostrar..." Vão sim, pergunte, sempre. Nós criamos tudo isso como uma extensão de nossa mente e nosso corpo. Toda tecnologia é nosso reflexo e extrapola nossas capacidades. Desse modo, teria melhor presente para esses macaquinhos derivados, cabeçudos e pedantes do que um ipad capaz de reagir ao toque, cheio de coisinhas bonitinhas, coloridas e de funções variadas? A resposta é não, criamos o maior dissipador mental que já existiu e ironicamente (ou não) muitos foram lobotomizados por eles.
Enquanto escrevo esse texto sem sal, leio um artigo científico, ouço Raul Seixas (uma música desconhecida por sinal), tomo meu chá digestivo e ouço a TV da sala insultando a inteligência humana (que pelo visto não é tudo isso) com o extraordinário BBB 2013, triste. Anyway, vêem? Sou um transtornado como praticamente todos nesse mundo moderno (não se sinta ofendido, você pode não ser, mas provavelmente é).
Nesse fluxo contínuo de gostos, cheiros, toques, imagens e prazos nada mais sai direito, incrível. Começamos um esporte, uma academia. Não dura meio ano já encheu a paciência. Comece a escrever um texto num dia rotineiro de sua vida, sobre qualquer coisa, veja quanta paciência lhe resta para terminá-lo... Meu primo de 9 anos outro dia veio dizer que lia livros grandes em uma velocidade extraordinária ("mais rápido que a vovó") e se vangloriava disso... Livros viraram números de páginas por tempo de leitura, cade o prazer?
Mas é o que a vida nos apresenta... O homem se adaptou até hoje, vai continuar se adaptando e isso não quer dizer que não aparecerão efeitos dessas mudanças no caminho, mudanças grotescas. Elas já estão perambulando por aí, armadas, atirando em escolas, matando seus chefes, agredindo seus familiares. Ou mesmo quietinhas de colarinho branco, galgando sobre as costas de qualquer um que for tolo o suficiente (ou impotente o suficiente) para deixar. São crianças de 4 anos vestidas como popstars e adultos de negócios, são os enlouquecidos por vampiros brilhantes e todos seus derivados que trocam uma vida por uma ilusão. É mais fácil mesmo. Mas entre o fácil e o certo, melhor fazer o certo. Abre parênteses: o que é o certo? Não me perguntem... Pra cada situação há um modo de se comportar, mas você pode dançar valsa num rockbar, talvez não sem algumas represálias, mas até aí... É o nilismo, é a sua vida... Fecha parênteses.
Bom, estou com sono e sem paciência para continuar filosofando (que os filósofos não me vejam dizendo um absurdo desses). Quero ver um filme (e espero terminá-lo), ou ler um livro (não tenho a pretensão de terminá-lo), ou quem sabe mofar no facebook, melhor dormir... Não sei, só sei que cansei, boa noite!
É incrível a capacidade das pessoas hoje em dia de ser multitask. Pra falar a verdade, estou falando sobre mim, mas é mais confortável olhar os outros.
Fazer múltiplas tarefas é realmente uma habilidade sine qua non nesse mundo fragmentado e com mais atividades do que horas... Entretanto, o problema está em nós mesmos, ou melhor, nas pessoas. Quando não se consegue mais colocar os glúteos fétidos na cadeira carcomida e fazer uma única tarefa de modo louvável. Tudo torna-se um certo números de tic-tacs do ponteiro e nada mais é prazeroso, no lugar do prazer tem-se prazos.
E é nessa cobrança que muitos enlouquecem. Nada mais é feito até o fim, é o efeito bulimia mental: queremos comer todas as atividades disponíveis no supermercado. Comemos, comemos, comemos e depois tudo é vomitado deixando uma mente vazia e perdida...
Somos seres ecléticos, necessitamos de tarefas variadas para a boa sanidade mental, however, todo o exagero é prejudicial. E os computadores, tablets e derivados estão aí para nos afundar ainda mais nesse aspecto. E a Internet então, pode-se perder uma vida curtindo coisas no facebook, até os dedos apodrecerem and not a fuck shall be given. Mas mesmo assim as pessoas gostam.
"Por que? Você me pergunta. Perguntas não vão lhe mostrar..." Vão sim, pergunte, sempre. Nós criamos tudo isso como uma extensão de nossa mente e nosso corpo. Toda tecnologia é nosso reflexo e extrapola nossas capacidades. Desse modo, teria melhor presente para esses macaquinhos derivados, cabeçudos e pedantes do que um ipad capaz de reagir ao toque, cheio de coisinhas bonitinhas, coloridas e de funções variadas? A resposta é não, criamos o maior dissipador mental que já existiu e ironicamente (ou não) muitos foram lobotomizados por eles.
Enquanto escrevo esse texto sem sal, leio um artigo científico, ouço Raul Seixas (uma música desconhecida por sinal), tomo meu chá digestivo e ouço a TV da sala insultando a inteligência humana (que pelo visto não é tudo isso) com o extraordinário BBB 2013, triste. Anyway, vêem? Sou um transtornado como praticamente todos nesse mundo moderno (não se sinta ofendido, você pode não ser, mas provavelmente é).
Nesse fluxo contínuo de gostos, cheiros, toques, imagens e prazos nada mais sai direito, incrível. Começamos um esporte, uma academia. Não dura meio ano já encheu a paciência. Comece a escrever um texto num dia rotineiro de sua vida, sobre qualquer coisa, veja quanta paciência lhe resta para terminá-lo... Meu primo de 9 anos outro dia veio dizer que lia livros grandes em uma velocidade extraordinária ("mais rápido que a vovó") e se vangloriava disso... Livros viraram números de páginas por tempo de leitura, cade o prazer?
Mas é o que a vida nos apresenta... O homem se adaptou até hoje, vai continuar se adaptando e isso não quer dizer que não aparecerão efeitos dessas mudanças no caminho, mudanças grotescas. Elas já estão perambulando por aí, armadas, atirando em escolas, matando seus chefes, agredindo seus familiares. Ou mesmo quietinhas de colarinho branco, galgando sobre as costas de qualquer um que for tolo o suficiente (ou impotente o suficiente) para deixar. São crianças de 4 anos vestidas como popstars e adultos de negócios, são os enlouquecidos por vampiros brilhantes e todos seus derivados que trocam uma vida por uma ilusão. É mais fácil mesmo. Mas entre o fácil e o certo, melhor fazer o certo. Abre parênteses: o que é o certo? Não me perguntem... Pra cada situação há um modo de se comportar, mas você pode dançar valsa num rockbar, talvez não sem algumas represálias, mas até aí... É o nilismo, é a sua vida... Fecha parênteses.
Bom, estou com sono e sem paciência para continuar filosofando (que os filósofos não me vejam dizendo um absurdo desses). Quero ver um filme (e espero terminá-lo), ou ler um livro (não tenho a pretensão de terminá-lo), ou quem sabe mofar no facebook, melhor dormir... Não sei, só sei que cansei, boa noite!
domingo, 20 de janeiro de 2013
Prece
Já se foi o tempo de regar as tenras raízes da poesia
Lavro com sangue minhas histórias
Escondo com carne meus desejos
O tempo fez-se areia no descarrilhar das memórias
Hoje é pouco o que se sente, mas muito o que se enjaula.
São fantasmas do passado, ilusões do futuro, fugas do presente.
É pouco o que se sente...
Abrir os olhos após tanta escuridão dói
E o que arde são as lágrimas banhadas em sentimento
É o músculo teso, a veia saltada, o peito em clausura.
São os medos, expectativas, traumas, esperanças
Num burbulhante caldeirão de aparente calma.
Alma minha que partiste tão triste e serena, retorna agora.
Concilia-te com meu corpo roto e maculado...
São tempos turbulentos, mas de calma
Retornai serena minha alma
E juntos brotaremos sobre nossa própria matéria,
E cresce, floresce e se esvai, mas por inteiro
Para depois brotar novamente na forma mais bela
Da mais feia semente...
Lavro com sangue minhas histórias
Escondo com carne meus desejos
O tempo fez-se areia no descarrilhar das memórias
Hoje é pouco o que se sente, mas muito o que se enjaula.
São fantasmas do passado, ilusões do futuro, fugas do presente.
É pouco o que se sente...
Abrir os olhos após tanta escuridão dói
E o que arde são as lágrimas banhadas em sentimento
É o músculo teso, a veia saltada, o peito em clausura.
São os medos, expectativas, traumas, esperanças
Num burbulhante caldeirão de aparente calma.
Alma minha que partiste tão triste e serena, retorna agora.
Concilia-te com meu corpo roto e maculado...
São tempos turbulentos, mas de calma
Retornai serena minha alma
E juntos brotaremos sobre nossa própria matéria,
E cresce, floresce e se esvai, mas por inteiro
Para depois brotar novamente na forma mais bela
Da mais feia semente...
Retrocesso
Retiro tudo que disse
Em tempo
Tudo que é triste
Invento
Pra me afogar.
Fui brasa, lenha da fogueira
Ramo de aroeira
Pedra de amolar.
E na faísca cheia
de cada raspagem
Fui dançando liso
Até me esgotar.
Brilhante e polida
Pareceu-me a vida,
Mas o que a valida
Se só vivo pleno
A escorregar?
Rolei na ribanceira,
Pelo riacho a fora,
Rio que foi embora
Até cair no mar.
Ao fundo
Afundei no mundo
Entre sal a água
Lembrança amarga
A me sufocar...
Em tempo
Tudo que é triste
Invento
Pra me afogar.
Fui brasa, lenha da fogueira
Ramo de aroeira
Pedra de amolar.
E na faísca cheia
de cada raspagem
Fui dançando liso
Até me esgotar.
Brilhante e polida
Pareceu-me a vida,
Mas o que a valida
Se só vivo pleno
A escorregar?
Rolei na ribanceira,
Pelo riacho a fora,
Rio que foi embora
Até cair no mar.
Ao fundo
Afundei no mundo
Entre sal a água
Lembrança amarga
A me sufocar...
Ampulheta
A terra que me enterra em cheio
Do pé ao joelho
Até o o fio de cabelo
Pôs-se a me transformar
Senti o lodo percorrendo as veias
E a noite fez-se feia
Sob o meu olhar
Pouco do tempo que me resta agora
Resta sozinho e embala
O meu respirar
A pele espessa, a garganta seca
A vista farta, o peito, descompasso
A tamborilar
Pouco me servem as visões alheias
Da vida serena
De um belo povo
Tudo em seu lugar
Quero que a terra me engula inteiro
Agulha no palheiro
Um tiro certeiro
A me desterrar.
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