Não posso parar,
A mente se desenrola numa síncope
Num fluxo de ideias infernal
E meu corpo desce ao chão,
Regurgita a alma tão volátil
Clama por todos os deuses mundanos
Mas nada vem.
Sopram borbulhas de ideias
Lampejos de esplendor
Dor, dor, dor
Dor num instante
Num suspiro lancinante
Que estoura sem ouvir.
É por dentro, autofagia
Do corpo com o corpo
Da alma com a alma
Do sonho com a calma
Da Terra com a vida
Dois pesos sem medida.
E desce o meu peito
Pelas entranhas de um gigante
Vai calado, não pulsa, uiva
D'um jeito que só um peito amigo
Um camarada também partido
Pode escutar.
O caminho é certo
Não posso parar
Mas os pés se desfiam no espaço
Fundem-se numa malha infinita
Onde cada argumento é areia
E cada vento semeia
A mente com rajadas de ar.
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