segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Pseudoensaio

Cansei de pseudopoesia, vou brincar de pseudoprosa hoje...

É incrível a capacidade das pessoas hoje em dia de ser multitask. Pra falar a verdade, estou falando sobre mim, mas é mais confortável olhar os outros. 

Fazer múltiplas tarefas é realmente uma habilidade sine qua non nesse mundo fragmentado e com mais atividades do que horas... Entretanto, o problema está em nós mesmos, ou melhor, nas pessoas. Quando não se consegue mais colocar os glúteos fétidos na cadeira carcomida e fazer uma única tarefa de modo louvável. Tudo torna-se um certo números de tic-tacs do ponteiro e nada mais é prazeroso, no lugar do prazer tem-se prazos.

E é nessa cobrança que muitos enlouquecem. Nada mais é feito até o fim, é o efeito bulimia mental: queremos comer todas as atividades disponíveis no supermercado. Comemos, comemos, comemos e depois tudo é vomitado deixando uma mente vazia e perdida...

Somos seres ecléticos, necessitamos de tarefas variadas para a boa sanidade mental, however, todo o  exagero é prejudicial. E os computadores, tablets e derivados estão aí para nos afundar ainda mais nesse aspecto. E a Internet então, pode-se perder uma vida curtindo coisas no facebook, até os dedos apodrecerem and not a fuck shall be given. Mas mesmo assim as pessoas gostam.

"Por que? Você me pergunta. Perguntas não vão lhe mostrar..." Vão sim, pergunte, sempre. Nós criamos tudo isso como uma extensão de nossa mente e nosso corpo. Toda tecnologia é nosso reflexo e extrapola nossas capacidades. Desse modo, teria melhor presente para esses macaquinhos derivados, cabeçudos e  pedantes do que um ipad capaz de reagir ao toque, cheio de coisinhas bonitinhas, coloridas e de funções variadas? A resposta é não, criamos o maior dissipador mental que já existiu e ironicamente (ou não) muitos foram lobotomizados por eles.

Enquanto escrevo esse texto sem sal, leio um artigo científico, ouço Raul Seixas (uma música desconhecida por sinal), tomo meu chá digestivo e ouço a TV da sala insultando a inteligência humana (que pelo visto não é tudo isso) com o extraordinário BBB 2013, triste. Anyway, vêem? Sou um transtornado como praticamente todos nesse mundo moderno (não se sinta ofendido, você pode não ser, mas provavelmente é).

Nesse fluxo contínuo de gostos, cheiros, toques, imagens e prazos nada mais sai direito, incrível. Começamos um esporte, uma academia. Não dura meio ano já encheu a paciência. Comece a escrever um texto num dia rotineiro de sua vida, sobre qualquer coisa, veja quanta paciência lhe resta para terminá-lo... Meu primo de 9 anos outro dia veio dizer que lia livros grandes em uma velocidade extraordinária ("mais rápido que a vovó") e se vangloriava disso... Livros viraram números de páginas por tempo de leitura, cade o prazer?

Mas é o que a vida nos apresenta... O homem se adaptou até hoje, vai continuar se adaptando e isso não quer dizer que não aparecerão efeitos dessas mudanças no caminho, mudanças grotescas. Elas já estão perambulando por aí, armadas, atirando em escolas, matando seus chefes, agredindo seus familiares. Ou mesmo quietinhas de colarinho branco, galgando sobre as costas de qualquer um que for tolo o suficiente (ou impotente o suficiente) para deixar. São crianças de 4 anos vestidas como popstars e adultos de negócios, são os enlouquecidos por vampiros brilhantes e todos seus derivados que trocam uma vida por uma ilusão. É mais fácil mesmo. Mas entre o fácil e o certo, melhor fazer o certo. Abre parênteses: o que é o certo? Não me perguntem... Pra cada situação há um modo de se comportar, mas você pode dançar valsa num rockbar, talvez não sem algumas represálias, mas até aí... É o nilismo, é a sua vida... Fecha parênteses.

Bom, estou com sono e sem paciência para continuar filosofando (que os filósofos não me vejam dizendo um absurdo desses). Quero ver um filme (e espero terminá-lo), ou ler um livro (não tenho a pretensão de terminá-lo), ou quem sabe mofar no facebook, melhor dormir... Não sei, só sei que cansei, boa noite! 

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