domingo, 20 de janeiro de 2013

Prece

Já se foi o tempo de regar as tenras raízes da poesia
Lavro com sangue minhas histórias
Escondo com carne meus desejos
O tempo fez-se areia no descarrilhar das memórias
Hoje é pouco o que se sente, mas muito o que se enjaula.
São fantasmas do passado, ilusões do futuro, fugas do presente.
É pouco o que se sente...

Abrir os olhos após tanta escuridão dói
E o que arde são as lágrimas banhadas em sentimento
É o músculo teso, a veia saltada, o peito em clausura.
São os medos, expectativas, traumas, esperanças
Num burbulhante caldeirão de aparente calma.
Alma minha que partiste tão triste e serena, retorna agora.
Concilia-te com meu corpo roto e maculado...

São tempos turbulentos, mas de calma
Retornai serena minha alma
E juntos brotaremos sobre nossa própria matéria,
E cresce, floresce e se esvai, mas por inteiro
Para depois brotar novamente na forma mais bela
Da mais feia semente...

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