segunda-feira, 18 de julho de 2011

Tudo

Já parou pra pensar?
Em cada gota,
Em cada palavra,
Em cada piscar,
Em tudo.

Na lavoura do tempo,
Onde se planta o desejo
Na terra da carne, 
Onde se finca o resto
Na copa da alma,
Onde frutificam os Verbos (os mais suculentos).

E em cada momento um encontro
Em cada motivo um sentido, obscuros sentidos,
Em cada palavra um sopro.

Nas linhas tortas da pauta
A melodia do mundo
Um concerto torto
Um anjo morto
A veia que salta.

A leveza do toque,
A sinestesia aveludada
A alma em revés
A poesia de mãos dadas
Com tudo que é.

E se é já se foi
E se foi não se perde,
Pois no manto da vida
Os retalhos são feitos do ser.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Solo

Sinalizaram, gentilmente, que passasse,
Passei...

Sussurraram, delicados, que entortasse,
Entortei...

Pediram, cínicos, que me calasse
E na primeira pessoa da alma,
Me calei.

E no silêncio envolvente
Passou o presente
E ninguém ouviu.

Morro ontem, nasço hoje
Envolto em farrapos
Mas com os próprios passos

Que me levam longe.