sábado, 17 de dezembro de 2011

Fragmento I

 "Each person who ever was or is or will be has a song. It isn’t a song that anybody else wrote. It has its own melody, it has its own words. Very few people get to sing their own song. Most of us fear that we cannot do it justice with our voices, or that our words are too foolish or too honest, or too odd. So people live their songs instead."
- Neil Gaiman, Anansi Boys

Equilíbrio

Tão pouco tempo, tão vasto mundo
Semana, hora, segundo
O chamuscar de um cigarro,
Um gole, um trago,
Cem cotações por minuto
O pulso convulso, o espelho
O discurso, a prece em joelhos
Um beijo, a brisa noturna
Um rosto, a infância perdida
Superfícies cortantes, esguias
Superhomens nas telas vazias
Supernovas já velhas, deitadas
Superações em queda, mais nada...

E se no fim de tudo fenece o peito,
O Universo ainda respira
A Terra brinca com Hélio
A luz não se atrasa um dia
Tudo mantém seu mistério
Os versos selvagens debandam
Fogem do corpo 
Fogem da alma 
Fogem da mente 
Retornam a suas origens
Fertilizam todo o espaço
E não mais são tinta, sílabas, fonemas
São finas cordas, abraçadas em teia
Entre átomos, moléculas, cadeias
São estrofes e não as são, em dança plena
São a vida num instante e no outro um poema.