Poucos sabem como é difícil morrer
Entregar-se ao fardo trevoso,
À incerteza pérfida e pulsante
Tudo isso pra que?
Para que a Terra na sua calma infinita
Sorva cada pedaço daquilo que já foi
Amor, ódio, libido, sinapses, carbono
Tudo retorna...
E tudo se torna,
Regando o solo seco
Moldando as novas raízes famintas
Amálgama de vida e argila.
Tudo se vai, mas tudo fica
O silêncio transpira a verdade,
Conta mais do que jamais saiu pela boca
Para meia palavra bom entendor basta.
E assim como o suave toque de tua mão
Na fugacidade de meus dedos
A matéria dissipa-se num instante
E só esse é já o bastante
Para eternizar o que jamais será eterno.
Porque não há o constante,
Há o momento
E o próximo piscar
Já se entrelaça com o passado
Numa delicada espiral
Que nos repele, nos une
E nos (des)contrói
A cada curva sinuosa,
A cada passo.
E eu não pergunto, não insisto,
apenas passo...