segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Le Moribond

Poucos sabem como é difícil morrer
Entregar-se ao fardo trevoso,
À incerteza pérfida e pulsante
Tudo isso pra que?

Para que a Terra na sua calma infinita
Sorva cada pedaço daquilo que já foi
Amor, ódio, libido, sinapses, carbono
Tudo retorna...

E tudo se torna,
Regando o solo seco
Moldando as novas raízes famintas
Amálgama de vida e argila.

Tudo se vai, mas tudo fica
O silêncio transpira a verdade,
Conta mais do que jamais saiu pela boca
Para meia palavra bom entendor basta.

E assim como o suave toque de tua mão
Na fugacidade de meus dedos
A matéria dissipa-se num instante
E só esse é já o bastante
Para eternizar o que jamais será eterno.

Porque não há o constante,
Há o momento
E o próximo piscar
Já se entrelaça com o passado
Numa delicada espiral
Que nos repele, nos une
E nos (des)contrói
A cada curva sinuosa,
A cada passo.

E eu não pergunto, não insisto,
apenas passo...

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