sábado, 17 de dezembro de 2011

Equilíbrio

Tão pouco tempo, tão vasto mundo
Semana, hora, segundo
O chamuscar de um cigarro,
Um gole, um trago,
Cem cotações por minuto
O pulso convulso, o espelho
O discurso, a prece em joelhos
Um beijo, a brisa noturna
Um rosto, a infância perdida
Superfícies cortantes, esguias
Superhomens nas telas vazias
Supernovas já velhas, deitadas
Superações em queda, mais nada...

E se no fim de tudo fenece o peito,
O Universo ainda respira
A Terra brinca com Hélio
A luz não se atrasa um dia
Tudo mantém seu mistério
Os versos selvagens debandam
Fogem do corpo 
Fogem da alma 
Fogem da mente 
Retornam a suas origens
Fertilizam todo o espaço
E não mais são tinta, sílabas, fonemas
São finas cordas, abraçadas em teia
Entre átomos, moléculas, cadeias
São estrofes e não as são, em dança plena
São a vida num instante e no outro um poema.

Nenhum comentário:

Postar um comentário