O amor é uma aranha
Que tece em minha mente
Que desfia lentamente
Sua teia no luar.
Um morcego encapuzado,
Uma víbora envolvente
Com suas presas salientes
Famintas a espreitar.
O amor é essa nesga
Que flutua lá no peito
Voa longe e sem jeito
Anjo torto a despencar
É o tempo, são as horas
Os ponteiros, a demora
Que roem por dentro e por fora
Só pra rir e provocar.
É o sangue fervilhante
Na (in)certeza de um amante
No gozo d'um instante,
Nas mãos a enforcar.
É o tudo, é o nada
É a alma espalmada
O reflexo n'outro corpo
Dois inteiros num só par.
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