De todas as palavras lavradas na terra,
As mais instigantes são as que não brotam.
No fundo, por mais que não floresçam belas e vistosas, são como uma primavera em nosso peito
(E ao mesmo tempo sorrateiras, como os dedos do mais gélido inverno)
Seu destino é incerto, seu tempo variável, sua essência uma dúvida.
A ausência é a poesia mais perfeita da alma,
É a sua inquietação, seu indulto
Seus versos brancos no sentido mais literal,
e livres.
É a corda muda que vibra e toca.
Seu corpo (des)faz-se nas pausas da melodia,
No vácuo mordaz que se enclausura no peito,
Nos tiques nervosos dos pés,
Nos suspiros, estalos de língua, olhares perdidos...
Está em todo canto, mesmo não estando em lugar algum.
É linda, mas talvez só o seja porque é parte:
Como a sombra do som no anteparo da vida.
E o todo é ainda mais lindo,
Como a vida no anteparo do mundo...
E, no fim, na dúvida, só nos resta, novamente, o silêncio
Ainda sim, melhor o silêncio do que os pontos,
Detesto os pontos, são previsíveis, têm um fim em si mesmos.
Mas e as reticências, oblíquas e dissimuladas?
...
Nenhum comentário:
Postar um comentário