Na forma de todo meu gozo
E nem bem sei se ouso
Esvair-me em sublime torpor.
O anjo torto já cantava
Com a doce voz de sua lira
Uma lavra de mágoa, riso e ira
E eu, perdido, sem mais, me despira
Na pele rasgada de amor.
Fez-se como fogo fátuo
Espontâneo, ligeiro e fino
Iluminou num flash o destino,
Findou-se numa encruzilhada.
E o corpo sem sentir mais nada,
E a mente, ainda aturdida
Na ausência de toda e qualquer medida,
Perdeu-se a cada vã arfada...
Se um dia me encontrares,
Não hesita,
Salvai-me dos grossos pesares
Que encerram minh'alma aturdida
Num eterno frenesi de olhares.
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