Maliciosa e malquista,
Um pequeno cisto surgiu.
E cresceu, eriçou-se, coçou
E coçou tanto e tanto,
Forçou nos olhos o pranto
Como quem fica e não se presta a passar.
Pôs-se, então, ferrenho a vagar
Por todo domínio existente.
Uma praga sem precedente.
Rachou as feridas,
Entupiu as narinas,
Secou a garganta,
E a sede foi tanta
Que toda bebida reluzia ao olhar
Mas nem assim fez-se pronto,
Pôs-se a roer toda mente
E quando nada restou, aparente
Roeu toda a alma em escárnio.
Restou somente o ímpio rosário
Com suas pobres ave-marias...
E assim como veio partiu,
Partindo o que veio ao pedaços,
Não foi mais que um estilhaço
No grande espelho da vida.
Refletiu o mundo ao inverso
Voraz, inquieto, incessante
Preso num ponto em estanque
Mas suspenso nas cordas dos versos.
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