quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Centelha

Numa dança de corpos
Bailaram todos os membros,
Numa chuva de cores tragadas
No denso corpo negro.

E a cada choque de lábios,
Uma corrente de espasmos,
Almas tragadas numa imensidão infinita
Tudo convulso,
Espalmado o pulso,
A fronte sorrindo enigmática,
O encontro de caninos na carne do instinto.

Talvez fosse anjo,
Anjo negro nessa vida,
Pra abrir os portões da Pandora no peito,
Renascer o que há muito fora defeito
Fazer-se causa e efeito de toda a alquimia. 

Os pés não mais se contentam em percorrer os caminhos,
A fé não mais preenche o eu sozinho,
O tempo constringe o espaço,
E no fim, retorno passo a passo
Ao ponto de partida, repartido
Até quando?

Acendeu-me a chama,
Que engolfa, inflama
Que exaure insaciável
Toda  matéria, vã e afável
E, no fim, todos sairão com cicatrizes,
Mas não com menos beleza,
Não com menos memórias,
Não com menos gratidão.

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