Afastam-se lábios num leve encrispar
A vida condensada num instante
O corpo encerra uma alma flutuante
Nada mais é digno, apenas o estar.
E nesse frênesi volátil do amar
A vil tristeza, outrora triunfante
Descama sob a fúria de um gigante
Com suas cinzas multicolor a pairar.
Mas acorda lentamente o ponteiro
Liquefaz gota a gota a fantasia
Afoga-se um sorriso derradeiro.
Num segundo jaz tudo o que luzia
Noutro tudo que jazia põe-se inteiro
(Des)construção, tinta da poesia.
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