"A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos."
Poema de Sete Faces, Carlos Drummond de Andrade
Nos olhos reluzem sonhos dispersos,
Nas pupilas o infinito se encerra
E brinca sozinha a ínfima Terra
E gira e corre e desdobram-se os versos.
Na mente flutuam mil universos
Aos poucos a alma, volátil, desterra
E são pontos a dor, o riso, a guerra
Em vivas centelhas o mundo é imerso.
Ilude-se o homem pensando ser astro
Fosco, sem vida, da sombra é reflexo
Navega sem rumo, falta-lhe o mastro.
À luz do moderno escurece o amplexo
Extinguem-se estrelas sem deixar rastros
Esvai-se o homem no vão do complexo.
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