segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Marulho

Ao caminhar sob a areia escaldante
Sentindo a espuma tocar minha mente
Torno-me pluma, um anjo torto
Sublimo gasoso na maresia
Cada passada me aproxima do fim.

Por mais que toque os rochedos
Jamais chego ao fim de mim mesmo
Arrasto-me no tempo da memória
Assombro a noite vazia, retorno
Cada suspiro me afasta do mundo.

Por mais que me agarre aos castelos
A solidez dissolve-se em meus dedos
Ou meus dedos dissolvem-se nela
A lua atrai o meu ser
Cada olhar me afasta dos céus.

Por mais que semeie o solo da vida
Jamais desfruto de sua beleza
Cada gota esvai-se em sua sede
Só resta o sal de minha alma
Cada lágrima me afasta de Deus.

Por mais que implore clemência
As linhas estão sempre tortas
Se ao menos houvesse o ponto final...
A maré varre as palavra, espalha
Cada onda traz minha tormenta, retorno.

Seria cada um de nós tão profundo, tão imenso
E ao mesmo tempo tão delimitado, vazio
Quanto um oceano?

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