Tantos braços, tantas bocas
Tanta força num olhar
Tanto nasce de tão poucas
Palavras no amar.
E se lavras nesse mar
A semente de teu peito
Abres um estreito,
Pôe-se a alma à navegar.
Mas se o braço faz-se rijo
E a boca faz-se quieta
O peito esconderijo
As pupilas em alerta
Fica o porto, foge o mar.
Na ciranda de tua mente
É posto a dor que sentes
Na ânsia do querer
No açoite do olhar
Sublimas pela noite
Nas ondas a girar.
Cada arco hesitante
Retorna ao pobre amante
O corpo, a alma, o ar
E nas cinzas de teu tempo
Da mágoa fazes templo
No tempo de amar.
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